quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mudança de hábitos

Eram cinco horas da tarde quando o despertador toca irritantemente. Marcela levanta a cabeça, toda descabelada e de mau humor.

- Inferno de despertador!

Desliga o aparelho e se levanta contra a própria vontade. A noite passada tinha sido pesada, chegara em casa às dez da manha e dormira ate agora e já teria que se arrumar novamente.
Seu novo trabalho exigiu de dela uma drástica mudança de hábitos. Antes ela acordava cedo e dormia cedo também, mas agora trabalhava a noite inteira, só chegava de manha em casa e dormia ate a tardezinha e assim por diante.

- Mais um dia, ou melhor, mais uma noite.

Pronta, Marcela pega seu crachá, sai do seu apartamento, o tranca e vai ao trabalho.

(...)

- Como começaremos a procurar a Marcela aqui?
- Cassinos *-*
- Andréa, não é hora de pensar em ir a cassinos ¬¬
- Desculpa :/
- Vamos ate a policia?
- Meu, não podemos, Flávio! Não sabemos se ela esta aqui mesmo, se ela não estiver? A policia pode nos achar uns loucos!
- Não custa nada tentar, Guile..
- Não sei, Ju... não sei.
- Pela Cela!
- Isso mesmo, Paulinho! Pela Marcela!
- Amanhã mesmo iremos ate a policia e falaremos a historia toda e se deus quiser, vamos encontra-la logo.
- Podemos ir no cassino?
- Andréa ¬¬
- Não vamos conseguir dormir direito mesmo... pelo menos conhecemos algo novo e nos distraímos um pouco... Vamos vai, por favor.
- O que acham?
- Vamos, não custa nada.
- Ok, vamos.

(...)

- Sempre quis vir a um cassino *-*

Andréa saltitava sem sair do lugar, todos a olhavam e seus amigos fingiam que não estavam vendo.

- Menos, Andréa! Menos!
- Ai, Guilherme... me deixa ser um pouquinho feliz enquanto não encontramos a Marcela!
- Feliz demais, eu diria ¬¬
- Chato!
- Bárbie!
- Não me chama assim que eu lembro dela
- Vamos encontra-la.
- Sim, vamos sim, Flávio
- Vamos para aquele lado?

Andréa chamava os amigos para as grandes e luxuosas maquinas de caça níqueis do lugar.

- Vamos.
- Vou beber alguma coisa. Alguém quer?
- Eu não quero.
- Ninguém?
- Não.
- Encontro vocês logo.
- Ok, Guile

Os quatro vão para um lado e Guilherme suspira profundamente. Não estava em clima de ‘festas’, jogatinas, nada. Só conseguia se sentir culpado pelo desaparecimento de Marcela e em como encontrá-la e também na possibilidade de não mais encontrá-la. Chegou no bar, se sentou apoiando seus braços no balcão e pediu sua bebida.

- Um drink de maçã, por favor.

continua...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Las Vegas!

O dia acabou, Flávio ficou pra dormir na casa de Guilherme, vencido pela insistência de Jenny.
E assim como o dia, a semana se passou, e duas semanas também se passaram.

Flávio havia voltado para o Brasil, após uma ligação de Paulo que lhe contara da última ligação de Marcela.
Guilherme terminou com Jennyfer, não conseguia mais parar de pensar no seu antigo amor, estava preocupado e se sentia muito culpado, a amava e a queria com ele, de uma vez por todas.
Mais uma semana se passou, assim como um mês e depois dois.

Júlia, Andréa, Paulo, Guilherme e Flávio estavam reunidos na ‘antiga’ casa de Marcela. Dois meses haviam se passado e ninguém tinha tido noticias dela. Já pensavam no pior, com certeza. As meninas amaldiçoavam o dia em que resolveram deixar a amiga sozinha para morar em Londres. Paulo estava desolado, tinha sido o ultimo a falar com ela, mas não tinha idéia de onde encontra-la. Flávio se culpava por ter levado Marcela à Suíça ao mesmo tempo que culpava Guilherme pelo sumiço da morena.

Guilherme não sabia mais o que fazer ou em que pensar. Havia pensado em milhares de hipóteses para o sumiço de Marcela, milhares de lugares onde ela poderia estar e ate na possibilidade de como ela teria morrido, ou se matado. Estava completamente desconcertado. Não queria ficar parado enquanto Marcela estava desaparecida, mas ao menos tempo, não tinha o que ser feito.

(...)

- O que faremos gente? Serio! É a Marcela! Precisamos encontra-la!
- Sabemos disso, Júlia! Mas não sabemos o que fazer!
- Não agüento mais isso, quero a Cela aqui!
- Calma, Andréa... não chora. Vamos encontra-la.
- Onde ela pode estar? Onde?

(...)

- Um lugar que eu queira muito conhecer?
- Sim, amor. Um lugar que sonha em ir!
- Não sei, Guile... Amo o Brasil, você sabe.
- Mas não tem nenhum outro local que você iria?
- Ter tem, mas não sei qual.
- Como não sabe, amor... diz ai vai. Quem sabe a gente não passa nossa lua de mel la.
- Nossa, seria um sonho!
- Se é um sonho, tornarei realidade! Fala!
- Sempre pensei em passar minha lua de mel em Las Vegas.
- Nossa, Las Vegas. Muito bem pensado! Passaremos nossa lua de mel em Las Vegas!
- Não viaja, amor...
- Não to viajando, te prometo que passaremos nossa lua de mel lá. Não é seu sonho?
- É... mais...
- Mais nada! Las Vegas ai vamos nós!

Sorrindo, Marcela o beija, selando todo amor que sentiam um pelo outro.

(...)

- Guile?
- Alguma idéia?
- Las Vegas.
- Que tem Las Vegas?
- Marcela me disse uma vez que sonhava em passar a lua de mel em Las Vegas.
- E o que tem isso haver?
- Vocês conhecem a Marcela tanto quanto eu. Sabem que ela não trocaria o Brasil por lugar nenhum nesse mundo.
- Mas... se ela não esta aqui... Las Vegas... É UMA POSSIBILIDADE!
- Acertou em cheio, Júlia!
- Las Vegas...
- Las Vegas!
- Aí vamos nós!

Eles sorriem e se preparam para a viagem. Não sabiam o porquê exatamente, mais a esperança havia se renovado dentro deles.

continua...

domingo, 4 de abril de 2010

Y desapareció...

- Me largue.
- Não! Você vai me escutar!
- Me solta, Guilherme!
- Me perdoa! Me desculpa! Eu errei! Mas errei querendo o seu bem! Estava mal, Marcela. Como acha que é descobrir aos 23 anos que tem câncer? Estava desesperado! E Flávio te amava, te ama, sei la. Ele poderia te fazer feliz, e eu só te traria transtornos! Me entende! Fiz o que fiz pensando em você! Pensando no seu bem, na sua felicidade! Eu errei, eu sei! Fiz tudo errado, mas eu estava desesperado, Marcela! Por deus!
- Queria ter estado ao seu lado esse tempo todo.
- E pensa que eu não? Não era a Jenny que eu queria ao meu lado, Marcela. Ela foi maravilhosa, me ajudou demais, serei eternamente grato a ela, mas não a amo! Era com você que eu sonhava todas as noites longe, era em você que eu pensava nas horas em que eu pensava em desistir da vida! Era você que eu queria ao meu lado, você!
- Achei que não me amasse, Guilherme. Você não me deu explicação nenhuma! Simplesmente foi embora, sem dar pistas de como te encontrar!
- Sou grato ao Flávio por ter te trazido aqui hoje. Me perdoe, Marcela. Acredite no meu amor, é o mais verdadeiro.
- Eu também te amo, Guilherme. Mas agora...
- Mas agora o que?
- Acha justo largar a Jennyfer depois de tudo que ela fez por você?

Guilherme se cala.

- Acha justo? Ela gosta de você, se não, não teria estado contigo todo esse tempo!
- Eu não a amo.
- E ai vai abandona-la? Fazer o mesmo que fez comigo a seis meses atrás?
- Não é igual.
- Eu sei que não. Mas pense bem. Ela merece esse sofrimento?
- Pare.
- Pense! Eu já sofri bastante e querendo ou não, me acostumei com a idéia de não mais ter você, mas ela...
- O que ta querendo dizer?
- Que não voltarei a ter nada com você.

(...)

Guilherme entrou em casa arrasado.

- Onde ta a Marcela?
- Não sei.
- Como não sabe?
- Ela foi embora.
- Pra onde? Guilherme, a Marcela não conhece a Suíça! Onde ela esta?
- Já disse que não sei, Flávio!
- Não fizeram as pazes?
- Não, Jenny. Sabe que a amo, não sabe?
- Sei, Guile...
- Ela não quis voltar comigo.
- Como?
- Pensou em você.
- Em mim?
- Disse que não seria justo eu te deixar agora.
- Mas... eu me conformaria.
- Pra ela, só ela sofrendo basta. Com licença.

Guilherme subiu as escadas da casa e se trancou em seu quarto, durante todo o resto do dia.

(...)

- Onde ela esta?
- Eu não sei.
- Deve estar perdida! Que irresponsabilidade do Guilherme!
- Chamamos a policia?
- Acho melhor.
- Não fique assim, ela esta bem.
- Assim espero. Se acontecer algo com ela, não sei o que faço.
- Se acalme. Vou ligar.

Jennyfer pega o telefone, disca o numero da policia e da a descrição de Marcela.

- Agora, só nos resta esperar.
- Sim...
- Vou ver o Guilherme.
- Ok..
- Qualquer coisa é só me chamar.
- Obrigado, Jennyfer.
- Me chame apenas de Jenny.
- Ok, desculpe. Jenny.
- Com licença.

Jennyfer sobe as escadas e bate na porta de Guilherme, mas ele pede que ela o deixe sozinho. Suspirando, ela volta à sala, onde estava Flávio.

(...)

‘Às vezes você se julga incapaz de seguir em frente. As pessoas a sua volta te dão as costas, mostrando que você esta sozinha. E o que fazer nesses momentos? Pra mim o ideal é se jogar numa cama limpa e macia e chorar. Chorar todas as magoas, todas as tristezas, chorar ate lhe faltar ar.

Estou sozinha. Minhas duas, melhores e únicas amigas não estão mais comigo. Meu maior amor também se foi. Tudo que eu queria era minha vida de volta. Tudo que eu queria era poder respirar outra vez.’

- Alô..
- Paulinho me ajuda.
- Marcela?
- Por favor...
- O que aconteceu, meu deus?
- To morrendo.
- Marcela não me assusta! Onde você ta?
- Não sei..
- Como não sabe?
- Preciso respirar.
- Respira, Marcela! Respira! Pelo amor de Deus onde você esta?
- Não posso mais.
- Para com isso! Me diz agora onde você ta que eu vou ai te buscar!
- Paulo...
- Marcela!!
- No final de tudo, você foi meu único e verdadeiro amigo.
- Para com a brincadeira! Fala agora onde você ta!
- Vou embora..
- Embora? O que?
- Guilherme vai se casar.
- Que? Como sabe disso? Onde você ta Marcela?
- Pedi que ele se casasse... não seria justo.
- Do que você ta falando, Marcela?
- Ate um dia, Paulinho..
- Não desligue esse telefone ou verá uma bixa alterada!
- Eu te amo muito!
- Cela... MARCELA!!

Após desligar o telefone, Marcela entra na sala de embarque do aeroporto suíço e se vai.

(...)

- Nenhuma noticia?
- Não, senhor.
- Continuem procurando, por favor. Precisam encontra-la.
- Estamos procurando, senhor. Com licença.
- Nada?
- Nada, Jenny. O policial acabou de sair daqui sem nenhuma noticia. Estou preocupado, sério.
- Pra falar a verdade eu também estou, Flávio. Mas não podemos nos deixar levar pelo desespero, pois não adiantará.

Minutos depois, Guilherme desce as escadas com os olhos meio inchados. Não dava pra perceber ao certo se de sono ou de choro..

- Acabei durmindo.
- Guile!
- O que foi, Jenny?
- A Marcela..
- O que tem ela?
- Ela sumiu, Guilherme!
- O que?
- Sumiu!
- Ela não voltou?
- Não!
- Meu deus, ela não conhece a Suíça!
- Foi o que eu te disse a muito tempo Guilherme!
- Calma, Flávio.. Vamos chamar a policia!
- Já chamamos! E não a encontraram, em parte alguma!
- Desde de tarde, Guile... ela sumiu.
- Minha culpa..
- Sim, sua culpa!
- Flávio, por favor...
- Por favor nada, Jenny! Foi culpa dele sim! Irresponsável! Se algo acontecer com ela, nunca te perdoarei!
- Se algo acontecer com ela, eu nunca me perdoarei, Flávio!

Guilherme se deixa cair no sentado no sofá. Ele olha para Jennyfer e logo depois para Flávio. Os dois também trocam olhares. Todos preocupados e sem saber o que fazer.

continua...

sábado, 3 de abril de 2010

Um erro pode mesmo ser concertado?

Guilherme estava imóvel. Não podia acreditar no que seus olhos viam. Não era possível. Marcela? Marcela na sua frente de novo... Não podia ser.

- Marcela?
- Vim te parabenizar pelo noivado, Guilherme.
- O que faz aqui?
- Sinto muito, muitíssimo ter vindo aqui. Mas já que estou, só tenho que te felicitar. Esta noivo... espero que dessa vez, leve esse noivado a sério.

Marcela saiu do escritório tremula, podia sentir todas as lagrimas que caiam em seu rosto. Queria falar poucas e boas para Guilherme, queria bater nele, xingá-lo, mas não voltaria. Não queria mais vê-lo, queria que ele morresse de verdade, e não apenas em seus pensamentos.

- Marcela, espere!
- Pra que me trouxe aqui, Flávio?
- Eu não sabia... ele acabou de me contar, como você deve ter ouvido.
- Ele esta noivo, Flávio. NOIVO! Como pude ser tão idiota. Ter chorado tanto por um infeliz como ele!
- Marcela você ouviu a conversa desde o inicio?
- Só o ouvi dizendo que estava noivo.
- Então precisa saber de tudo!
- Não chegue perto de mim, Guilherme. Quero que morra. QUE MORRA!
- Seu desejo quase virou uma ordem... precisamos conversar.
- Não tenho nada pra falar com você. Vim aqui porque Flávio insistiu muito, mas agradeço a ele por ter me feito ver a imbecil que fui esse tempo inteiro.
- Eu tinha câncer, Marcela.
- O que?

Flávio e Jennyfer vão para dentro da casa, Marcela e Guilherme precisavam ficar sozinhos.

- Vim para Suíça me tratar de um câncer na bacia que estava para me matar. Não achou que te deixei no Brasil, sem explicação nenhuma por nada não?
- Não pensei em nada... só em como eu queria te ver morto.

(...)

- Ela é a Marcela, não é?
- Sim...
- O grande amor dele.
- E ele, o grande amor dela.
- Só aceitei me casar com ele por que o amo, mas sabia, sempre soube, ele sempre deixou claro que nunca me amaria como eu o amo, pois seu coração sempre foi dela.
- Sempre fui apaixonado pela Marcela. Mas sempre soube também do amor deles dois.
- Guilherme me contou da conversa que tiveram antes dele decidir vir para cá. Ele só veio por causa da conversa. Já o tinha convidado a mais tempo, para se tratar, mas ele nunca quis deixá-la.
- Me sinto mais culpado ainda.
- Não se sinta. Aqui ele teve o melhor tratamento possível. Se curou por isso.
- Ela sofreu demais sem ele, e ainda está sofrendo.
- Sinto que sofrerei o que ela sofreu.
- Não exatamente... ela sofreu mais.
- Sim... é verdade, mas...
- Eles farão as pazes, Jennyfer.
- E eu serei obrigada a abrir mão dele, para ela.
- A escolha é dele.
- Não tem escolha. Só há escolha quando há duas opções e pra ele a única é ela. Sou carta fora do baralho.
- Não sei o que te dizer.
- Não diga nada. Querendo ou não eu sabia que um dia isso aconteceria. Tinha esperança de que eles nunca mais se reencontrassem, mas no fundo, sabia que isso era praticamente impossível. Ele é dela.
- E ela é dele.

(...)

- Me odiou tanto assim?
- Hoje te odeio muito mais.
- Mesmo sabendo das circunstancias?
- Isso não é desculpa, Guilherme! Se dizia que me amava, por que não me contou a verdade? Eu te ajudaria. Seria eu no lugar da sua noiva, te ajudando, do seu lado.
- Tive medo de te perder.
- Me perder? Não venha com essas frases ensaiadas, Guilherme! Você me perdeu com a sua escolha de não me dizer nada.
- Eu sei, Marcela. Mas eu tinha medo de te fazer sofrer. Te prender a mim. Queria te ver feliz e cuidando de um doente você não seria.
- Não decida o que seria felicidade pra mim, Guilherme! Felicidade pra mim é estar ao lado de quem se ama, cuidando, amando, fazendo o que fosse preciso pra nunca perder a pessoa que queria fazer feliz. Definição completamente diferente de felicidade pra você né? Preferiu mentir, me abandonar, me deixar louca sem saber de nada, sem saber o por que de você estar me deixando sozinha. Como acha que me senti?
- Eu sinto muito.
- Não, não sente. Quem sente muito, muitíssimo, sou eu.. Sinto muito de não ter sido boa suficiente pra você ao menos me falar a verdade e me querer ao seu lado mesmo doente.
- Isso não é verdade.
- Mas é assim que eu penso. A Jennyfer é muito melhor ne? Que bom que encontrou alguém que te vai fazer feliz.
- Só vou ser feliz com você, Marcela...
- E quando pensou nisso? Quando me viu naquele escritório? Quando pretendia me contar a verdade? Quando tivesse casado, com filhos? Vai pro inferno, Guilherme! Você me fez o maior mal que alguém poderia me fazer.
- Eu te amo, Marcela. A Jenny sabe disso, sempre soube que a mulher que eu amo não era ela, era você. Ela sabe da historia toda. E sabe também que agora que você sabe de tudo, não vou mais casar com ela.
- Não repita o mesmo erro, Guilherme. Não abandone outra pessoa que te ama.
- Eu amo você.
- Eu fiquei sozinha. Depois que você se foi, descobri que Flávio falou coisas pra você que não tinham sentido dele falar e você foi embora também pelo que ele disse. Brigamos feio e fizemos as pazes hoje. Desde aquele dia, há seis meses.
- E a Andréa e a Júlia?
- Foram embora. Me abandonaram, assim como você. Pelo menos tiveram a decência de se despedir. Mas me abandonaram.
- E o Paulo?
- Paulinho... o único que realmente valeu a pena na minha vida.
- Não fala isso, Cela...
- O único que estava comigo quando todos me viraram as costas. Depois que você foi embora, eu não consegui mais trabalhar, perdi meu emprego, ate hoje, estou aqui. Desempregada, sem você e sem amigos. Um ótimo final para alguém não acha?
- Não é o seu fim, Marcela.
- Pra mim é. Depois de tudo que soube hoje, pra mim chegou ao fim. Tudo.
- Me perdoa. Eu te amo, te quero, preciso de você comigo.
- Agora? Agora é tarde Guilherme. É tarde demais...
- Nunca é tarde pra quem se ama.
- Nunca é tarde pra quem se ama. Chega a ser engraçado te ouvir falar isso.
- Sei que esta magoada, triste, com raiva... mas também sei o tamanho do seu coração e o tamanho do amor que sente por mim, igual ao que eu sinto por você.
- Em seis meses muita coisa muda..
- Muita coisa muda, mas o amor não acaba, se verdadeiro, não acaba.
- Apesar de verdadeiro, você sabe muito bem que sim, o meu acabou por você acabou. Você machucou tanto ele, que ele morreu, assim como você pra mim.

Marcela deu as costas a Guilherme e foi andando, agora precisava de um lugar pra ela, um lugar que realmente fosse dela, lugar esse que ela ainda não havia encontrado.

- Marcela, vem aqui!

Ela o ouvia de longe, mas não pretendia voltar, não pra ele.

- Marcela! Eu te amo!

As lágrimas não paravam de escorrer pelo rosto de Marcela, ela tentava enxugar mais não conseguia, eram muitas.

- Não vou deixar que um erro de seis meses atrás faça nosso amor acabar assim.

Ele estava na frente dela, a segurando pelos braços, estava serio.

continua...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Surpresa!

Marcela passara toda viagem tensa. Não sabia o que lhe esperava naquele país tão distinto do Brasil. A possibilidade de reencontrar Guilherme a fazia tremer dos pés à cabeça.

- Esta bem?
- Poderia estar melhor, se estivesse em casa.

Flávio sorri e passa uma das mãos pelo alto da cabeça da amiga.

(...)

- Nem acredito que esta bem meu amor.
- Nem eu posso acreditar. Terei minha vida de volta agora.
- Vencer um câncer não é pra qualquer um, Guile... é forte, um vencedor.
- Obrigado, Jenny. Sem você isso não teria sido possível.
- Claro que sim, já falei, você é forte. Superaria isso com ou sem mim.
- Agradeço.
- Não agradeça, me beije.

Quando chegou a Suíça, Guilherme foi recebido por seu tio Paul e sua prima Jennyfer. Eram parentes distantes que nunca tivera contato real antes. Se falavam por telefone no natal e em datas comemorativas muito importantes, mas nada mais que isso.
Quando comentou com sua prima de sua doença, ela o convencera de que na Suíça ele teria o melhor tratamento para seu tipo de câncer: de tireóide.

Não demorou muito para Jennyfer, mais conhecida como Jenny, se interessar pelo primo que também não demorou a corresponder as investidas da garota, iniciando assim um ‘romance’.

Para Guilherme, Jenny era muito mais que um romance, ela tinha o ajudado desde o inicio. Em dias de crises da doença, nos dias em que ele queria morrer, durante todo o tratamento era ela que estava ao seu lado, o dando força e o ajudando como podia.

(...)

- É aqui.
- Ele mora ai?
- Sim. Com o tio e a prima.
- Não sei se estou pronta pra saber de alguma verdade, Flávio! Seja ela qual for..
- Precisa ser forte.
- Não sou, nunca fui.
- Estou com você.
- Obrigada.

Flávio tocou a campainha da casa e logo uma empregada atendeu. Ele se identificou e esperou a mulher, de aparentemente seus 50 e poucos anos, voltar e permitir sua entrada.

- O senhor Guilherme e a senhorita Jennyfer estão no escritório. Pode entrar.
- Obrigado.
- Entra primeiro. Depois eu entro. Ele não sabe que estou aqui, só que você esta.
- Como queira, mas não fuja daqui.
- Nem saberia pra onde.

Sorrindo, Flávio deu um beijo na testa de Marcela e entrou no escritório.

- Não pude acreditar quando Dora falou que Flávio estava aqui. É você mesmo! Quanto tempo!

Guilherme foi ate Flávio e eles se abraçaram.

- Muito tempo cara! Como esta?
- Muito bem, Poncho. Chegou no momento certo! Hoje recebi uma noticia espetacular!
- O que?
- Estou curado, Flavinho! Estou curado!
- Eu disse pra você que se curaria, Guile! Parabéns irmão! Nossa! Que notícia maravilhosa!
- Estou fora de mim de tanta alegria. Depois de seis meses de sofrimento, posso sorrir verdadeiramente de novo.
- Não sabe como estou contente por você, Guile! Mas... Tenho uma surpresa pra você também.
- Ah é? Qual?
- Alguém esta...
- Mas antes deixe-me apresentar! Essa é a Jenny, minha prima e agora noiva.
- Noiva?
- Foi a pessoa mais importante na minha vida durante esses seis meses.
- Eu.. eu não sei o que dizer...
- Não diga nada! Ou melhor, diga a surpresa.
- Acho que não sou mais uma surpresa. Pelo menos não agradável.

Marcela estava na porta do escritório, estática, olhando para Guilherme com o olhar mais enigmático que ele já vira. Não sabia o que aqueles pequenos e expressivos olhos negros queriam demonstrar naquele momento, mas tinha certeza que raiva estava entre os sentimentos que aquele olhar transmitia.

continua...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Atos recuperam atos.

- Marcela não é pra você.
- Por que diz isso, Flávio?
- Eu a amo.
- Eu sei. A ama a mais tempo que eu.
- A mereço.
- Eu também.
- Por nossa amizade.
- Não me peça algo assim. Gosto dela, você sabe.
- Você ta doente, Guilherme. Ela precisa de alguém forte ao seu lado.
- Não jogue isso na minha cara. Não tem caráter?
- O mesmo que o seu. Sabe que tenho. Não falei por mal, Guile. Só quero vê-la feliz.
- Não poderei dar-lhe felicidade eterna.
- Na verdade, ninguém pode. Mas poderei dar por mais tempo.
- Não vou morrer, Flávio!
- Não. Não vai. Vai se tratar e se curar, se Deus quiser.
- Se acredita nisso, por que o conteúdo dessa conversa?
- Só quero ficar com ela.
- Ela esta comigo.
- Perdoe-me por tudo. Não voltarei a te incomodar. Vou embora.
- Como assim?
- Vou morar fora do Brasil.
- Por que isso?
- Quer mesmo ouvir?
- Já imagino.
- A faça feliz. E seja feliz você também, Guilherme.

Os amigos se abraçam e Flávio se vai.
Guilherme estava confuso. Será que Flávio tinha razão? Seria hora de contar a Marcela de seu estado de saúde?

(...)

Marcela se revirava na cama. Não parava de chorar. Há quase seis meses tinha recebido a noticia de que Guilherme tinha ido embora. Sem lhe dar nenhuma explicação, uma ligação, um e-mail, nem um recado por um dos amigos. Apenas havia ido.

Marcela e Guilherme namoraram por dois anos e meio e logo ficaram noivos. Se amavam e tinham em suas mentes seu casamento. Estava próximo, o mais tardar, o ano que viria.

Tudo estava bem na visão de Marcela, mas na de Guilherme, as coisas precisavam tomar um novo rumo. Sua conversa com Flávio o fez enxergar que precisava deixar Marcela livre. Livre para amar de novo e quem sabe, amar Flávio.

- Por que ele foi embora, Flávio?
- Eu não sei, Marcela.
- Sabe sim, não minta pra mim! Você é o melhor amigo dele! Sabe de alguma coisa! Me conte! Pra onde ele foi?
- Suíça.
- O que?
- Isso que ouviu.
- Por que?
- Não sei.
- Por que, Flávio

Marcela estava alterada.

- Depois que conversei com ele, ele me ligou e só me disse que ia embora.
- O que você conversou com ele?
- Disse que te amava.
- O que?
- Isso que já sabe.
- Por que?
- Eu te amo, Marcela. Não queria mais te ver com ele.
- Ele foi embora, seu desgraçado! Sem nem me dizer nada! Tem noção do que fez, Flávio?
- Sinto muito, Marcela. Não queria isso. Só desabafei com ele, como você mesmo disse, ele é meu melhor amigo. Não estava mais agüentando esconder isso dele.
- Isso nunca foi uma surpresa pra ninguém.
- Eu disse a ele que ia embora.
- Você?
- Sim, eu ia embora. Mas ele foi mais rápido.

(...)

- Alô.
- Marcela?
- Sim, quem fala?
- Sou eu, Júlia.
- O que quer?
- Não me trata assim, Cela... tenta me entender.
- Me ligou pra que, Júlia?
- Queria saber como estava...
- Muito bem, obrigada. Era só isso?
- Não faz assim, Marcela.
- Era só isso?
- A Andréa quer falar com você.
- Não se incomode.
- Cela?
- Diga...
- Por que ta tratando a gente assim? Entende a gente...
- E VOCES ME ENTENDAM! HÁ QUASE SEIS MESES O GUILHERME ME ABANDONOU, SEM DIZER NADA! SURPRESA! EU O AMO, VOCES SABIAM? E COMO SE NÃO BASTASSE DESCUBRO QUE ELE FOI EMBORA POR CAUSA DO FLÁVIO, MEU MELHOR AMIGO! SABIAM DISSO TAMBÉM? CLARO QUE SABIAM EU CONTEI PRA VOCES. MAS ACHO QUE ESTAVAM MUITO PREOCUPADAS COM ESSA MALDITA VIAGEM DE VOCES PRA SE PREOCUPAR COM QUALQUER COISA QUE DISSESSE RESPEITO A MIM!
- Marcela...
- E DEPOIS DISSO TUDO, VOCES DUAS, MINHAS MELHORES E UNICAS AMIGAS DECIDEM IR EMBORA! ESTOU SOZINHA, MENINAS! SOZINHA! OBRIGADO POR SE PREOCUPAREM TANTO COMIGO, VOU VIVER MUITO BEM DO JEITO QUE ESTOU. SEM O GUILHERME, SEM EMPREGO E SEM AMIGOS!

Marcela desliga o telefone transtornada. Corre pra varanda, olha fixamente pra baixo. Estava nervosa, queria morrer, queria se encontrar novamente na verdade, mas não conseguia, então seu único e palpável desejo era a morte.

(...)

A campainha tocava insistentemente. Marcela não queria atender, não esperava ninguém, não podia ser ninguém que a interessasse. A única pessoa que poderia lhe interessar no momento era Paulo e ele estava no trabalho, provavelmente. O som da campainha a estava transtornando mais. Correu ate a porta e a abriu, sem ver quem era pelo olho mágico.

- O que faz aqui?
- Precisamos conversar, Marcela.
- Não temos mais nada pra conversar. Já lhe disse tudo que queria da ultima vez.
- Mas eu não consigo mais ficar desse jeito. Somos amigos. Não podemos ficar assim um com o outro.
- Lembrou que era meu amigo quando? Quando falou o que falou ao Guilherme que não foi.
- Me perdoa. Já te disse. Precisava desabafar com alguém, ele foi a minha única saída.
- Paulinho não podia ne? Tinha que ser logo o Guile...
- Tinha que ser com ele.
- Claro, pra fuder a minha vida, tinha que ser com ele mesmo.
- Nunca quis fuder a sua vida, Marcela! Posso entrar?
- Não.
- Vamos conversar como dois adultos que somos, ok?
- Você me faz rir, Flávio.

Flávio entra no apartamento de Marcela e logo se senta no sofá.

- Senta aqui do meu lado.
- Estou bem de pé.
- Como queira... quero que sejamos amigos como sempre fomos. Há anos, desde adolescentes.
- Sua amizade não me interessa mais.
- Não sabe mentir. Não tente.
- Pode me interessar ainda, mas uma hora não mais.
- Por isso estou aqui, não quero que essa hora chegue.
- É a hora que eu mais quero que chegue.

Flávio respira fundo.

- Te amo, mas sua amizade sempre foi mais importante pra mim.
- Por que não pensou nisso antes?
- Estava mal, Marcela.
- E eu estou pior agora.
- Quero te ajudar. Estou disposto a te ajudar a descobrir a verdade.
- Do que esta falando?
- Sei por que exatamente Guilherme foi embora.
- Por que você encheu a cabeça dele de besteiras.
- Não, Marcela. Há um motivo muito mais forte.
- E qual é?
- Vou te ajudar a descobrir, mas não serei eu quem vai te contar. Não tenho esse direito.
- E quem vai me contar?
- Esta disposta a ir ate a Suíça?
- Co-como?
- Isso que ouviu. Sei onde ele esta. E posso leva-la ate ele.
- Não, não quero.
- Sabe que quer. Mas tem medo.
- Ele me largou aqui, sem nem pensar nos meus sentimentos. Não quero mais nada com o Guilherme.
- Não é isso que seu coração diz.
- Mas é o que a razão diz. Guilherme pra mim morreu.
- E por que ate hoje chora tanto por ele?
- Costumo chorar muito pelos mortos.
- Vai se arrepender do que esta dizendo, Marcela. Vamos para a Suíça.
- Já falei que não vou. E você não pode me obrigar.
- Não tem mesmo curiosidade em saber o que levou ele a te abandonar? Não acredita no amor que ele dizia sentir por você?
- Isso não vem ao caso. Não tem nada haver.
- Tem sim! Tem tudo haver! Se acreditar no amor que ele dizia sentir por você, não pode crer que ele te abandonaria assim, do nada. Algo forte o fez fazer isso. E você só descobrirá se me acompanhar.

Marcela chorava. Flávio a abraçou.

- Não queria ter te magoado como magoei. Sei que errei e peço perdão, de verdade. E agora quero recompensar meu erro, te levando ate ele.
- Vou pensar, Flávio.
- Não pense, o vôo sai daqui a duas horas.

continua...

Agora sim a história tem um início.

‘Às vezes você se julga incapaz de seguir em frente. As pessoas a sua volta te dão as costas, mostrando que você esta sozinha. E o que fazer nesses momentos? Pra mim o ideal é se jogar numa cama limpa e macia e chorar. Chorar todas as magoas, todas as tristezas, chorar ate lhe faltar ar.

Estou sozinha. Minhas duas, melhores e únicas amigas não estão mais comigo. Meu maior amor também se foi. Tudo que eu queria era minha vida de volta. Tudo que eu queria era poder respirar outra vez.’

- Por que vão fazer isso comigo?
- Marcela, é preciso. É nosso futuro.
- E o meu futuro, por que ninguém pensa nele?
- Porque quem tem que pensar nele é você.
- Estou sozinha agora.
- Vamos voltar.
- E se lembrarão de mim quando isso acontecer?

Júlia e Andréa abraçam Marcela, sem receber um abraço de volta. Ambas dão um beijo de até logo na testa da morena, se viram, enxugam suas lagrimas e entram na sala de embarque.
Marcela estava desolada. Suas melhores amigas estavam indo viajar, uma viagem sem previsão de volta, à trabalho.
Pensou diversas vezes antes de recusar o convite de se juntar a elas, mas não podia. Não podia deixar o Brasil por um trabalho que nem seu era.
Suas raízes, sua historia estavam naquele país. E as lembranças de um grande amor também.

(...)

- Sou uma fracassada, Paulo.
- Não fale isso minha deusa morena.
- Não tenho emprego, não tenho as meninas comigo, não tenho ele.
- Tem a mim.
- Você, você que vive de baladas.
- Pode viver de baladas comigo.
- Não me agrada.
- Você precisa viver, Marcela.
- Como viver, sem ter comigo o que me fazia viver?
- Vai se entregar à dor que esta sentindo por três pessoas que infelizmente não estão mais aqui? E você? Você não vale algo?
- Sinceramente não sei.
- Pois eu lhe digo que vale. Vale muito, morena.
- Quero que more comigo, Paulinho.
- Sabe que não daria certo, Cela...
- Podemos tentar.
- Não é fácil viver com um gay.
- Você é gay, mas é meu amigo.
- Isso me lembra uma canção...
- Deixa de ser palhaço. Aceita minha proposta?
- Sinto dizer que não. Não quero transformar a sua vida, por minha causa.
- Será que não percebe que o que preciso é de uma transformação?
- Sim, percebo. Mas não desse tipo de transformação, Marcela! Você precisa querer viver. Querer ser feliz. Querer reconstruir tudo que lhe foi tirado.
- Fala dele?
- Também. Mas principalmente de seu emprego, novos amigos e aí sim um novo amor.

(...)

Marcela sempre fora uma garota de poucas e boas amizades. Em sua vida inteira, apenas cultivara cinco amizades verdadeiras, amizades que pretendia levar para a vida toda, mas a própria vida não lhe permitiu.
Desde adolescentes, Marcela, Andréa, Júlia, Guilherme, Flávio e Paulinho eram inseparáveis. Entre eles ocorreu tudo que poderia ocorrer entre adolescentes cheios de descobertas pela frente.

Andréa e Júlia sempre foram mais coladas, talvez pelo fato de serem primas e terem nascido e crescido juntas. Sempre ansiaram o desejo de morar fora e a inesperada oferta de trabalho em Londres, feita a Júlia fora o passo inicial para que esse desejo juvenil fosse convertido em realidade. Andréa não pensou duas vezes em dizer que iria para Londres com a prima e lá, com certeza seria um bom local para abrir sua loja de bolsas e sapatos, também, tão sonhada.
Júlia trabalhava como gerente de uma empresa de cosméticos e sua competência a levara a Londres.

Quando soube da viagem das amigas, Marcela se sentiu sem chão. Acabara de passar por uma perda incomparável. E suas amigas não pensaram nisso ao decidir viajar. Estava magoada, ressentida. Sabia que era o sonho das duas, mas acreditava que isso poderia esperar, ao menos um, dois ou mais meses, para que ela se recuperasse um pouco. Mas não, elas não estavam preocupadas com ela.

(...)

Flávio e Paulinho sempre foram os xodós de Marcela. Se preocupava com eles, mais do que se preocupava consigo mesma. Cuidava deles quando chegavam bêbados, lhes dava o ombro para chorarem seus amores que não haviam dado certo. Foi a ela que Paulo contou primeiro sobre sua homossexualidade e foi ela a pessoa que mais lhe deu apoio. Os fazia se desculparem um com o outro quando brigavam. Era como a mãe dos dois, mesmo sabendo que Flávio nutria uma certa paixão por ela. Haviam namorado quando ambos tinham 16 anos, mas o namoro não durou mais que três meses. Flávio era ciumento e não aceitava a amizade de Marcela com Guilherme, mesmo sendo amigo dele também.

Guilherme era com Marcela, exatamente, como ela era com Paulo e Flávio. Pra ele não existia garota mais frágil e que mais precisava de cuidados que ela. Era sua pequena protegida. Sua eterna protegida.

(...)

- Vou morar sozinha?
- Sempre morou morena!
- Mas nesse momento, não estou bem, Paulo!
- Por que não pede ao Flávio que te faça companhia?
- Sabe que não posso fazer isso.
- Não vão voltar a se falar?
- Não sei. Estou magoada.
- Marcela, como você mesmo disse. Está sozinha, carente, triste, sem amigos. Esta na hora de deixar esse orgulho de lado e voltar a falar com ele.
- Você esquece rápido das coisas né? Sabe que estou assim por culpa dele.
- Ele nunca superou.
- E eu também não vou superar o que ele me fez. Isso que ele queria? Estamos quites então.
- Deixe de teimosia. Você gosta dele.
- Claro que gosto. Ele é meu amigo.
- Por isso mesmo, não pode acabar com essa amizade assim.
- Flávio é um ingrato. Sempre quis o melhor pra ele. Ele me traiu.
- Não quer que eu dê minha opinião novamente quer?
- Não. Vou embora.
- Fique mais um pouco, morena. Deixe-me lhe contar do Gio.
- Hoje não quero saber das suas viadagens.
- Depois o Flávio que é o ingrato.
- Idiota. Mande-me um e-mail. Responderei prontamente.
- Você ta precisando de um homem, Marcela!

Marcela abaixa a cabeça, sente seus olhos úmidos.

- Sinto muito. Não medi as palavras. Me perdoe.
- Você tem razão. Um homem. Preciso, mas me tiraram o que eu mais queria.
- Pode ter outros.
- Quem? Flávio?
- É uma opção.
- Não quer que eu de minha opinião novamente quer?
- Não falarei mais disso com você, senhorita. Só quero vê-la feliz.
- E eu só queria achar um lugar pra mim.

continua...