segunda-feira, 12 de abril de 2010

Estou cansada...

Ah, como foi rápida. Já chegou ao fim, minha primeira hisória aqui. Para quem acompanhou e gostou, agradeço e digo que logo mais, outras historinhas estarão por aqui.
Mas agora vamos conversar um pouco...

(...)

O trabalho dignifica o homem.
Concordo.
Mas o que ninguém pensou é que cansa e muito o homem também.
Para quem não sabe eu tenho 21 anos e estou no penúltimo período da faculdade de jornalismo. Falta menos de um ano para que eu me livre do que me consome por quase quatro anos. Durante uma faculdade, o que os estudantes mais procuram é um estágio, não para ganhar experiência, mas sim, para dizer: 'agora tenho responsabilidades, pai!'

Eu demorei. Somente agora no penúltimo e derradeiro período arranjei um estágio.
Todos os meus amigos já tinham os seus e viviam me dizendo: 'Alissa, tá na hora de arranjar um emprego po!' E eu pensava: 'Droga ¬¬' O fato é que minha hora chegou. E chegou com tudo, afinal agora eu tenho dois estágios.
Tudo bem, eu concordo que eu tava precisando de um pouco mais de responsabilidade na minha vida.. mas em dobro? É castigo!
Agora mesmo estou aqui em um deles, louca, cheia de coisas para fazer, sem a minha chefe (que viajou para os E.U.A) e além de tudo com um trabalho FDP da faculdade para apresentar AMANHÃ!

O tempo que era meu forte há um mês atrás, agora é raro. Tempo livre, quero dizer, por que o tempo continua o mesmo, já o tempo ocioso... É pouco, bem pouco.
Finalmente, nesse final de semana eu consegui arranjar um bom tempo para rever meus amigos. Fazia um bom tempo que não saía com eles.
Sábado fui comer sushi com eles. Conversamos bastante, brincamos, falamos bobagens como era de costume antigamente, bebemos, rimos muito. Ah como é bom!
No domingo fui ao cinema com outro grupo de amigos que fazia muito tempo que não os via também, até mais. Assistimos Uma noite fora de série e eu ri demais! Depois conversamos, rimos, brincamos, comemos, nos divertimos juntos, como também era de praxe há um tempo atrás.

Mas sabe quando você mesmo se divertindo quer voltar logo para casa e se jogar na sua cama para dormir e relaxar? Foi o que me aconteceu esses dois dias. Quando cheguei em casa, tomei um belo banho, entrei por menos de 10 minutos, nesse meu vício que atende pelo nome de internet e me joguei na minha cama. Estava tão cansada que demorei bastante para adormecer, mas quando consegui, só me acordei no outro dia, depois do meio dia.
E para que? Para mais uma semana de trabalho e estresse.

Me sinto muito dignificada com meus traballhos, mas muito mais que isso, me sinto muito, muito mesmo, cansada.

domingo, 11 de abril de 2010

Enfim um lugar para chamar de seu

Nosso passado é nossa história e nossa história faz parte de nós. Não podemos nos desfazer do que passou, o que foi ruim, tentamos, mas nem sempre conseguimos esquecer, passar uma borracha. O que é bom, mesmo que já tenha mesmo passado continua na gente, como uma tatuagem que não se pode tirar, não se pode apagar. O sofrimento deixa cicatrizes, às vezes, irreparáveis, mas quem não pode viver com uma cicatriz? Todos podemos. Por maior ou dolorida que seja, todos temos força suficiente para contornar os medos, as dores e as ilusões do passado, mesmo que essa força seja desconhecida por nós mesmos, chega um momento em que nos damos conta o quão somos fortes e de quanto podemos ser felizes mesmo com os apesares.

(...)

- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Guilherme se aproxima de Marcela calmamente, se olhavam quase que hipnotizados, sorriam, estavam realizados, agora eram casados, o sonho de Marcela estava se realizando enfim.
Beijavam-se calmamente, desfrutando como podiam daquele momento que ambos tanto esperaram. Com um selinho carinhoso e demorado eles se separaram, cruzaram os dedos de suas mãos e sorriram. Olharam para trás e abriram sorrisos maiores ainda ao ver os amigos sorrindo, batendo palmas e festejando, sendo testemunhas daquele ato de amor.

(...)

Guilherme não tirava os olhos da mulher ao tirar lentamente seu vestido de noiva.
Já haviam estado juntos muitas vezes, durante o namoro e o noivado, mas aquela vez, definitivamente era diferente. Saudade, felicidade estavam misturados com outros milhares de sentimentos que ambos estavam sentindo. Agora eram casados, eram marido e mulher. Tinham um laço muito mais forte e indestrutível agora.
Se beijavam a todo momento. As bocas se acariciavam em plena sintonia, assim como as mãos tocando das partes mais comuns às mais sensíveis do corpo um do outro.
Juras de amor eram ditas durante grande parte do tempo, promessas de amor eterno eram expressadas das maneiras mais românticas e apaixonadas possíveis.
Guilherme entra em Marcela lentamente, aproveitando cada segundo daquele momento, o momento em que os sentimentos de amor e prazer misturavam-se, formando um só.
Os movimentos eram delicados. Mordidas, chupadas, lambidas também não ficaram de fora daquilo. Com o tempo, os movimentos ganhavam mais intensidade e eram acompanhados de gemidos de prazer de ambos, até chegarem ao ápice juntos.

- Eu te amo, Marcela.
- Eu te amo, Guilherme.

Guilherme separa seu corpo do de Marcela, vai até o banheiro e logo volta, se deitando ao lado da ruiva que sorria de orelha a orelha.

- Está feliz?
- E você ainda me pergunta? Só Deus sabe o quanto eu esperei por esse momento. Poder te chamar de meu.
- Sempre fui seu.
- Meu marido.
- Minha mulher.
- Te quero pra sempre!
- Pra sempre!

Eles sorriem e dão um selinho demorado.

- Te disse que ficou maravilhosa com o cabelo ruivo?
- Não disse não...
- Pois estou dizendo agora. Esta linda, pequena!
- Obrigada, meu amor.

Ficaram se olhando um pouco, sorrindo. Marcela dá outro selinho em Guilherme e deita sua cabeça no peito do marido, que começa a fazer carícias nas costas dela.

- Las Vegas...
- Nem acredito que você realizou mesmo meu sonho de tantos anos atrás.
- Eu prometi, não prometi?
- Mas que moraríamos aqui não.
- Você não sonhava com isso antes.
- Não mesmo. Mas agora, pra mim é importante.
- Se é importante pra você, é pra mim também. Las Vegas é nossa nova casa!

Marcela finalmente conseguira se sentir completa, realizada. Estava com a pessoa que amava ao seu lado. Guilherme era seu, seu marido, seu amigo, seu amante, seu tudo! E ela era tudo dele também. Enfim, podia dizer, gritar ao mundo, a quem quisesse ouvir que estava feliz, que era uma mulher feliz e mudada!
Sempre acreditara que o Brasil seria sua casa até o fim, sempre ansiou isso, mas o destino, a vida, lhe mostraram que às vezes é preciso mudar e mudar muito, no caso dela até de país para encontrar o que lhe completa totalmente...
Finalmente tinha encontrado seu lugar, o lugar que definitivamente podia chamar de seu.

FIM

sábado, 10 de abril de 2010

Antigo recomeço

- Por que sumiu desse jeito?
- Precisava encontrar um lugar pra mim.
- Dois meses, Marcela! Por Deus, imaginei tantos absurdos! Cheguei a chorar sua morte!
- Também chorei a sua morte.
- Ainda tão ressentida comigo? Já te expliquei tudo.. Por favor, me entende! Eu também sofri todo tempo que ficamos separados e mais ainda, estava doente, Marcela!
- Poderia ter dividido isso comigo! Mas preferiu encontrar outra para dividir isso.
- Marcela, eu só queria o seu bem! Sei que errei, eu já sei! Mas te peço perdão! Quero recuperar o tempo perdido. Recuperar nosso amor, que eu sei que não acabou e nem vai acabar assim.
- Sofri tanto sem saber de você.
- Estamos quites.
- Não me interessa isso. Só quero que vá embora e me deixe em paz.
- Terminei com a Jenny.
- Co-como?
- No outro dia que você foi embora, terminei com ela.
- Não fez o certo.
- Fiz sim. Até ela sabe disso. Ela sabia, Cela.. Sempre soube que quando você aparecesse novamente, quando eu te encontrasse de novo, eu e ela acabaríamos. Na verdade, nunca existiu eu e ela. Sempre fui eu e você. Ela foi mais uma amiga que qualquer outra coisa.
- Como estão os outros?
- Há duas horas atrás estavam preocupados com você, mas agora, sabem que você ao menos esta viva.
- O que faziam no cassino?
- Viemos à Las Vegas procurar você.
- Como sabiam que me encontrariam aqui?
- Não sabíamos! Pelo menos não tínhamos certeza.
- Por que me procurar justo aqui?
- Lembra de uma conversa que tivemos que eu te prometi que nossa lua de mel seria aqui? Que eu realizaria seu sonho?
- Isso faz tanto tempo...
- Mas eu nunca esqueci, por que eu pretendia realizar isso.
- Pretendia mesmo estando noivo de outra?
- Pedir Jennyfer em casamento foi um erro, eu sei. Foi por impulso, por estar contente por estar curado e ela ter sido parte fundamental na minha cura. Desculpe-me.
- Não quero mais falar disso.
- Me perdoa?
- Sim, Guilherme. Eu te perdôo.
- De verdade?
- Sim. Vindo até aqui provou que fala a verdade.
- Nunca mentiria pra você, Marcela. O que eu falo é a mais pura verdade, só não te contei do meu câncer por que queria te proteger, não queria te ver sofrer, te prender a mim, que não tinha um futuro certo.
- Eu te amo, Guilherme, sempre te amei. Sempre estaria ao seu lado, acima de tudo, de qualquer coisa. Você era a pessoa mais importante pra mim, a pessoa por quem eu mataria e morria. A pessoa que eu mais amei em toda a minha vida. A pessoa que eu sonhava em casar, ter filhos, cuidar quando ficássemos velhinhos e morrer juntos.
- Você sempre foi isso tudo pra mim, Marcela.. Sempre! Era com você que eu queria terminar meus dias. É com você que eu quero.
- Eu senti tanto a sua falta.
- Eu quase morri de saudades de você, minha pequena.
- Promete que nunca mais vai me deixar sozinha.
- Te prometo. Nunca mais te deixarei sozinha! Nunca mais!
- E que nunca mais vai me esconder nada!
- Nunca mais! Prometo. Te amo!

Não era preciso dizer mais nada, apenas um beijo faltava para selar aquele momento único. Marcela havia conseguido o que queria. Recomeçar. Sim, mesmo voltando à um amor do passado, ela havia recomeçado.

continua...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Enfim sós

- Garçom! Com licença! Você conhece uma garçonete ruiva?
- Claro que sim.
- Como ela se chama?
- Celinha..
- Celinha... Claro... Ela não usaria Marcela, seria fácil demais.
- O que disse senhor?
- Nada... Mas então... Onde posso encontrá-la?
- Celinha acabou de ir embora.
- Como?
- Disse que não estava passando bem, pediu ao gerente para sair mais cedo e se foi.
- Sabe onde ela mora?
- Não, senhor... Perdão, mas... Por que tanto interesse nela?
- Er... Er... Fiquei de lhe dar uma gorjeta, mas ela sumiu.
- Aqui somos proibidos de receber gorjetas, senhor.
- Ah, mas vocês nunca recebem?
- Ah... O senhor sabe. Quando o cliente insiste muito...
- Entendo. Quanto quer para me levar ate a Cela... Celinha! Quanto quer para me levar até a Celinha?
- Já falei pro senhor que não sei onde ela mora...
- Mas pode descobrir pra mim, não pode?

Guilherme depositara no bolso do garçom diversas notas de alto valor, discretamente.

- Me acompanhe, por favor.

Ele e o garçom foram até uma sala, afastada dos jogos ou do bar do cassino. Guilherme se sentou em um sofá negro e de aparência antiga, enquanto o garçom entrara em uma outra porta.

(...)

Marcela chegara em sua casa tão transtornada por quem havia visto que nem trancou porta, nem nada. Foi ao banheiro, lavar o rosto, tirar aquela maquiagem carregada. Tomou um banho rápido, escovou os dentes, trocou de roupa, colocando sua camisola branca de seda e voltou ao quarto. Ligou a televisão e se deitou na cama, pensativa.

(...)

Por mais alguns dólares o garçom levou Guilherme até o apartamento em que Marcela morava e se foi. Agora era com ele. Ele e ela.

Era um prédio simples, nem ao menos portaria tinha. Cada morador tinha a chave do portão e pronto, imaginou ele. Mas esse se tornara um problema. Como ele entraria se o portão estava fechado? Ou pelo menos era para estar, pensou ele ao perceber que estava apenas encostado.

- Obrigado, Deus!

Guilherme entrou no prédio, sem pressa, porém com cautela, nada o podia impedir de ver e falar com Marcela naquele momento. Nada, nem ninguém!
O apartamento de Marcela era o 203. Chegou na frente da porta e começou a ensaiar milhares de maneiras de falar com ela e principalmente de como fazer uma voz diferente da sua original para que ela o deixasse entrar, sem medo.
Estava nervoso. Encostou-se levemente na maçaneta e a sentiu girar, era muita sorte para um dia só. Sim, estava aberta.

- Que perigo, dona Marcela! Ainda bem que sou eu!

Entrou devagar, sem fazer barulho, ‘andando em ovos’, fechou e trancou a porta. Suspirou, respirou fundo, ofegou e foi caminhando pela casa. Chegou à cozinha e nada, ate a varanda, menos ainda, então foi indo até um lugar que imaginou que fosse um quarto.
A porta estava aberta, a televisão ligada, a luz de um abajur também, olhando de esgoela, pode ver pernas na cama, olhando melhor pode ver todo um corpo deitado e claro, aqueles inconfundíveis cabelos vermelhos esparramados em um travesseiro branco. Não pode deixar de ouvir também um soluço.

(...)

Marcela pensava, pensava e só conseguia chorar. Chorar de emoção por ter revisto seus amigos, ter visto Paulo tão cara a cara, mesmo sem tê-lo abraçado como seus instintos mandaram, ter visto, principalmente, Guilherme. Seu tão antigo e tão recente amor, que queria esquecer, mas não conseguia. Era muito mais forte que ela.

(...)

Levado por toda coragem que conseguira juntar, Guilherme entra no quarto. Não conseguia para de olhar para a moça que estava deitada. Se aproximou mais, e mais, até chegar ao lado da cama, podendo ver que ela estava de olhos fechados, com uma expressão dolorosa na face e com o rosto molhado, estava chorando. Aquela visão tão ímpar dela, só comprovou visualmente o que ele já sabia: Marcela! Havia encontrado Marcela.

- Marcela...

Marcela ouvira um sussurro. Estava sonhando, imaginava ela. Não havia ninguém ali, tinha fechado a port... A PORTA! Ela não havia fechado a porta! Se levantou de um pulo, sentando na cama e quase caindo deitada novamente quando seu olhar se encontrou com o que não parava de encara-la.

- O que... O que.. O que faz aqui? Quem deixou você entrar?
- Marcela, por que fugiu?
- Saia!
- Não posso acreditar que te encontrei.
- Não sei do que esta falando. Saia do meu apartamento ou chamarei a polícia!
- Teria coragem? De mandar me prender?
- Não o conheço, teria sim!
- Não precisa fazer esse teatro aqui. Você sabe que eu sei que é você. Não tem como esconder. Mesmo com os cabelos vermelhos, aquela roupa que usava no cassino, sua voz não me confunde, Cela. E seu rosto muito menos.
- Vá embora, Guilherme.

continua...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Voltando a nossa história...

- Peça ao barman sim? Tenho pressa.

Marcela saiu de perto da voz o mais rápido que pôde. Nem chegou a pegar as bebidas que um cliente lhe havia pedido. Estava tremula, só precisava sair de perto daquela ‘maldita’ voz.

(...)

De longe e meio escondida, Marcela olha em direção de onde estava e apenas comprova o que as saltitadas de seu coração lhe tinham dito: era ele. Era Guilherme, seu amor que nunca havia morrido.

O que ela não sabia era que o mesmo havia ocorrido com ele. Ao ouvir aquela suave e diferente voz, o coração do moço deu sinais de vida. A voz de Marcela sempre fora única: suave, aguda, um som único, principalmente para um apaixonado.
Guilherme sabia que aquela voz era dela. Não podiam haver duas mulheres com uma mesma voz, tão diferente, não podia. Era ela. Ele tinha certeza, seu coração também.
Mas, algo estava errado. Aqueles fios vermelhos marcantes, chamativos, brilhosos eram bastante distintos dos de Marcela. E aquela roupa curta, colada... Tudo bem, ela usava roupas coladas, sexys, mas... não sabia. Estava confuso. Se fosse mesmo Marcela por que não teria falado com ele?

- Ela fugiu.

Guilherme tinha certeza. Era ela.

(...)

Marcela não conseguia mais sair de onde estava. Não podia correr o risco de encontrar com Guilherme novamente. Não queria. Não queria ter uma nova conversa, sentir tudo novamente, não a faria bem. Ela não precisava daquilo agora...

Andando de costas, sem tirar os olhos de Guilherme, Marcela esbarra em alguém, se vira para se desculpar e toma mais um susto.

- Perdão.
- Não foi nada.

Dulce não sabia o que fazer. Estava frente a frente com Paulo. Sua vontade era pular no pescoço dele, chorar e lhe dizer o quanto estava morta de saudades, mas não podia e nem conseguia. Só conseguia olhar para ele, paralisada.
O mesmo acontecia com Paulo. Mesmo com aquela maquiagem marcante, aqueles cabelos vermelhos, aquele decote e tudo mais, sabia que conhecia aquela mulher de algum lugar. Além da voz, aquele olhar também lhe era familiar.

- Nos conhecemos?

Marcela não sabia o que fazer. Precisava tanto de um amigo, de seu velho amigo, mas não podia correr esse risco.

- Não.
- Tenho a impressão que sim. Você me lembra alguém, muito diferente de você, mas ao mesmo tempo tão igual.
- Não nos conhecemos.

Ela tentava mudar sua voz, sabia que logo ele perceberia. Desviou o olhar do amigo para mais a frente e percebera que estava encurralada. Guilherme já não estava onde estava antes, agora ele estava junto a um grupo, um grupo constituído de uma loira, uma morena e um moreno e Paulo na sua frente. Eram eles. Todos eles. Mas... o que faziam ali? Logo ali, no seu novo mundo?

Mais uma vez Marcela fugiu. Sem dizer mais nada deu as costas à Paulo e andou apressadamente, o deixando confuso.

(...)

- Ela parece alguém que conheço.
- Também a viu?
- Como?
- A ruiva.
- Uma garçonete?
- Sim! Uma garçonete ruiva!
- Esbarrei com ela a pouco. Parecia nervosa.
- É ela, Paulo!
- Ãn?
- A Marcela! A garçonete ruiva é a Marcela! Mesmo não tendo visto seu rosto, aquela voz é inconfundível. É ela. Eu tenho certeza.
- A Cela! Como não pude perceber antes! É claro! Ela me era família por que era a minha melhor amiga! É ela!
- A Marcela? Vocês têm certeza?
- Absoluta! É ela!
- Precisamos acha-la.
- É, Flávio. Mas pelo que vejo ela não quer falar com nenhum de nós. Fugiu de mim!
- E de mim também!
- Se ela quisesse, ela teria falado.
- Não interessa o que ela quer ou deixa de querer, temos que encontra-la novamente e falar com ela!
- Principalmente o Guile..
- Guile?
- Onde ele foi?

Guilherme já estava longe. Não estava disposto a perdê-la mais uma vez. A encontraria naquele cassino nem que tivesse que colocar aquele lugar abaixo.

continua...

[extra] Homenagem

Já postei um pouco hoje, mas agora eu queria abrir um espaço aqui para homenagear uma pessoa muito especial para mim e que infelizmente não está mais comigo.
Às vezes fazemos as coisas sem ter ideia da proporção que podem chegar. Conhecer gente nova é sempre bom, mas pela internet é uma coisa meio diferente, além de muito perigosa. Mesmo sabendo de todos os riscos, eu sempre gostei muito de conhecer gente pela net. São pessoas completamente diferentes de você, que na maioria das vezes moram muiiiito longe e que nunca você esbarraria na vida. Algumas tornam-se colegas de oi, tudo bom, conta as novas. Mas eu tive a sorte de conhecer, não muitas, mas algumas pessoas muito especiais através do computador. Nenhuma mora por perto, mas se tornaram mais amigas do que muitos amigos que tenho ao meu lado na hora que eu quiser. Sabe aquela música que diz: quem foi que disse que pra ta junto precisa ta perto? Vivo isso a mais de três anos.
Mas toda essa história pode ficar pra outro dia, por que a real razão de estar falando nisso, é realmente homenagiar uma amiga que se foi. E por que hj? Por que hoje ela faria 24 aninhos de vida. E eu queria que ela estivesse online agora para poder ler o que eu to escrevendo, mas eu sei que de algum lugar, muito melhor que esse mundo em que vivemos, ela esta vendo e abrindo um belo sorriso de agradecimento.
Vanessa era sinônimo de alegria, de perseverança, luta, força. Uma verdadeira guerreira.. Uma das pessoas que eu mais admirei na minha vida e ainda admiro. Uma verdadeira mãe nas horas em que estava online. Se preocupava com tudo e com todos. Sempre estava disposta a ajudar, dar conselhos e escutar os problemas dos outros. Deveria ser por isso que eu a chamava de mãe. Minha Zen.. Queria não estar chorando sua falta agora, até pq sei que você não deve ta gostando de ver eu e outros chorando por você.. Você quer nos ver bem, não é? Mas é inevitável. A saudade dói demais, as lembranças boas enchem o coração e ao mesmo tempo entristecem por que a nossa hsitória parou de ser escrita. Mas a sua história, mesmo parada, nunca será esquecida. Sempre vamos lembrar de você da maneira mais linda, nas melhores recordações, Nessa.
Muita gente que ler isso aqui vai pensar. Que bobagem, ela nem a conhecia pessoalmente. Não, não tive o prazer de conhece-la. Deus a levou pra perto dele antes que eu pudesse realizar isso. Mas o que importa é que o que aconteceu foi verdadeiro, a amizade era especial e me faz muita falta hoje. Não importa distancia, não importa idade, não importa crenças, o que importa é o que cada um é de verdade. E é justamente por isso que eu sou tão apegada aos meus verdadeiros amigos virtuais, pq é de verdade. Não viramos amigos pela beleza, pela conta bancária ou pelo apartamento que um ou outro mora. Nos tornamos amigos pelos sentimentos verdadeiros e pelo que somos por dentro. Nada externo importa, nada material conta, o que conta é o coração. E é por isso que a Vanessa era e é tão especial pra mim e pra toda a nossa família, pq coração como o dela é muito difícil de encontrar por ai.. Eu te amo, Zen. E quero sempre lembrar do seu sorriso, para eu poder sorrir também.

~ Nessa (Zen), Paulinha (Calcinha), Rafa (Ermã), Maicon (Ermão), Thainá (Cuu), Bih (Linds) e May (Sutiã) Vocês para sempre

Nem tudo pode ser mudado

Dois meses haviam se passado desde a última e decepcionante conversa que Marcela tivera com Guilherme na Suíça. Após fugir dele, ela ficou vagando pelas desconhecidas ruas suíças, pois não tinha pra onde ir, não sabia pra onde ir. Precisava de uma vez por todas, definitivamente, se encontrar. Achar um lugar onde ela pudesse ser ela mesma, sem medo de nada, nem de ninguém. Um lugar em que ela pudesse ser plenamente feliz, em que ela pudesse respirar.
Sentou em um banco, em uma praça, uma bela praça, pelo que pode ver com seus olhos molhados por suas lágrimas de um amor definitivamente perdido. Pensou e pensou. Milhares de idéias malucas ou não passavam ligeiras em sua mente. Não sabia o que fazer ao certo. Em como deveria recomeçar. Apenas tinha uma certeza: recomeçar seria preciso. Sabia que uma importante etapa de sua vida havia terminado, mas também sabia que não era o fim de tudo, apenas um recomeço, pelo menos era no que pretendia acreditar até onde suas, quase esgotadas, forças pudessem chegar.
Las Vegas. Esse seria seu destino. Não podia voltar ao Brasil, por mais que amasse aquele país e por mais que sua vida estivesse enraizada nele, não poderia voltar. Teria que enterrar todo seu passado e pensar apenas em um futuro próximo que teria que alcançar e Las Vegas seria o lugar.

(...)

Um recomeço implica mudanças, algumas superficiais, outras profundas. Marcela resolvera que começaria por uma mudança superficial, simples, mas que a faria melhor e mais segura. Suas longas madeixas pretas, tinham sido substituídas por uma mediana e repicada cabeleira vermelha. Vermelho intenso, expressivo, forte e seguro. Em seu novo tom de cabelo era que Marcela resolvera começar a expressar sua verdadeira mudança: a mudança interior. Sua antiga maquiagem, cor de pele, só para realçar sua beleza, havia sido substituída também: agora a ruiva só andava com fortes tons na pele. Olhos marcados em preto, sempre! Maçãs do rosto, às vezes, em tons rosados, às vezes em tons dourados. Sua boca ganhara volume com batons em cores que iam do rosa bebê ao vermelho sangue, dependia do dia e de seu humor.
Marcela era uma nova mulher, havia decidido isso, assim que decidiu morar em definitivo na cidade dos cassinos.

(...)

Ao chegar a seu novo país, Marcela logo alugou um apartamento, pequeno porém aconchegante, e que estava dentro de suas economias. Após se instalar, fora procurar um emprego e não demorou muito até iniciar um trabalho noturno, em um conhecido e luxuoso cassino.
A vida de garçonete não era fácil, trabalhava muito, e o pior, na opinião dela, durante toda a noite e toda a madrugada, mas era um emprego bem recompensado e, na maioria das vezes, divertido.
Seu novo visual a ajudou a arranjar esse emprego. Junto com seu cabelo, agora vermelho, e sua maquiagem extravagante, roupas curtas e decotadas também faziam parte dela agora. Definitivamente era uma nova e muito mais bonita mulher.

(...)

O coração de Marcela estava saltitando, poderia ter passado anos, mas ela nunca esqueceria daquele tom suave ao mesmo tempo que rouco, pesado ao mesmo tempo que sexy, que, para ela, só uma pessoa tinha. Ela não queria acreditar, não podia ser ele. Não depois de tudo. Não ali, em Las Vegas!
Chegou a pensar que estava imaginando coisas, sonhando acordada com ele, coisa que costumava fazer sempre. Suava frio, estava apreensiva, mas alguma coisa lhe dizia que seu coração não se enganara ao pular descompassadamente ao som daquela voz.

- Moça? Não me ouviu?

Insistira Guilherme. A ruiva ao seu lado, que ele tinha certeza ser uma garçonete do local, havia passado um bom tempo parada de costas para ele e ele não entendera o por quê, apenas queria seu drink de maçã.
continua...